(Texto feito especialmente para o programa Realidade Paralela deste sábado, 16 de agosto de 2014, na Rádio Folha FM 96,7, Recife, PE)

 

Quando soaram as 12 horas e 51 minutos, eu me perguntei se Miguel Arraes, o avô, estava informado do retorno de seu neto.

E me perguntei mais:

Se Eduardo havia passado pelo túnel da morte com coragem e esperança?

Se seus mais próximos do outro lado estavam com os braços abertos para confortá-lo?

Se ele pudera perceber que o seu corpo espiritual continuava intacto?

Se havia luzes a clarear o espaço em que fora arremetido na beleza da vida?

Se os Espíritos sonhadores de um mundo melhor lhe enviavam mensagens de otimismo?

Se os políticos que o antecederam, já refeitos de seus próprios destinos, tinham palavras fraternas para adorná-lo?

Se seus sentimentos nobres eram suficientes para suportar a abrupta separação?

Se um sono, profundo e reparador, o acolhera no leito da nova etapa?

Se o momento, em toda sua solenidade, percebia o sopro da brisa fresca predizendo calmaria?

Se olhares silenciosos estendiam-lhe proteção contra quaisquer desassossegos?

Se uma sonata de Chopin ecoava pelos ares em acordes tranquilos?

Se, em meio aos prantos daqui, havia lá a presença compassiva e estável dos bons?

E, finalmente,

Se eu poderia, deveria, ousaria ou desejava adormecer em paz, naquele momento de grande estranhamento da população brasileira?

Foram perguntas, apenas perguntas.

Nenhuma delas pedia, procurava ou buscava respostas. Foi somente o meu jeito de dizer, de mim e para mim, que a vida prossegue, que a alma é imortal, que os sonhos não morrem.

Sim, por mais que os solavancos da existência nos balancem e sacudam, há sempre uma certeza de esperança e uma esperança de continuidade, a soar dentro de nós como uma suave e meiga voz garantindo a estabilidade dos seres na procura permanente pelo bem e o belo.

Descanse, Eduardo, pois mais um frutuoso trabalho o espera, ali, logo à frente. E, por favor, não desista, jamais, de você mesmo.

By wgarcia

Professor universitário, jornalista, escritor, mestre em Comunicação e Mercado, especialista em Comunicação Jornalística.

3 thoughts on “Crônica para Eduardo”
  1. Após a consternação de viver o inacreditável e o impensável, a realidade da monstruosidade do acontecido chegou até nós.
    Mas vamos viver e continuar, agora mais do que antes, o exemplo e o modelo do HOMEM HONRADO que foi abatido.
    Nada apagará sua vida.
    No dia da eleição irei com a frase, agora eterna e lema de vida :
    NÃO DESISTIREMOS DO BRASIL.
    Como disse DONA RENATA: É aqui que criaremos nossos filhos. E eu completo: nossos netos e a família continuará.
    Que os meninos dele continuem e honrem o PAI que tiveram e que nosso JUSTO DEUS de misericórdia e bondade infinita o tenha em lugar de luz.

  2. Não sou militante, partidário de nenhum grupo político. Entretanto, sempre dediquei admiração aos grande homens, líderes. Seja no campo político, na : Educação, Medicina, Engenharia, outros. Que o Estadista Eduardo Campo seja envolvido por Luz Divina, e que continue sua jornada evolutiva, por existências vindouras, nas veredas do bem

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